Após algum tempo afastada, junto aqueles que me amam, chego à conclusão que na amizade não pode haver nem obrigações nem tormentos. A diferença entre o prazer da companhia do outro e o "acorrentar de uma alma" é igual à distância do meu olhar à lua. Ser amigo não é só apoiar-te quando estás quase a mutilar-te só porque levaste uma tampa daquelas e achas que o mundo acabou, não é literalmente horas passadas à volta de uma mesa a beber umas cervejas, ou a ganhar umas calorias enquanto falamos dos nossos ex namorados e das figuras que fizemos quando andávamos na escola. Percebo agora a tua indiferença quanto a toda a gente, sobretudo comigo, a forma fria como me tratas e olhas, a mim e a quem te adora. Já não és a mesma desde à muito tempo, e a culpa disso é também muito minha, confesso. No entanto, não me vou martirizar, nem ficar com peso na consciência por não conseguir salvar uma amizade que no fim estava condenada. Consciencializei-me que os abraços não era promessas, e que as tuas derrotas eram encaradas por mim de cabeça erguida e por ti "como te apetecesse". Estive lá, eu sei que estive lá verdadeiramente, mas tu também estiveste e, por isso, nunca poderei agradecer-te da maneira como gostaria. Lamento, e choro. O Luto da nossa amizade é sem dúvida das piores coisas que, ate ao momento, por mim passou. Foste durante muitas noites a minha consciência, enquanto eu durante muitos dias fui a tua. A verdade, é que a estrada ficou a meio, e nem sequer tivemos a coragem de a levar por um caminho incerto. Nunca te abandonei nem ignorei, mas nem sempre conseguiste ver isso.
Se houve coisa que me ensinaste, não pelo teu conceito de vida, mas pelas atitudes reveladas, foi que não importa o quanto eu me importo... Tu simplesmente não te importaste, nem comigo nem com ela. E não importa a quantidade de desculpas que pedes nem o quão boa amiga eras... Feriste-nos o dobro do que te ferimos. Mas, ainda assim, soubemos perdoar.
Foram 3 anos maravilhosos sabes? A construção mais bela que já vi, e que levou um mês a ser destruída, juntamente com mais 3 para ser enterrada.
Após este desabafo meio ensurdecedor, e texto bastante distinto do que costumo publicar, confesso que percebo o sentido da frase "Aprende que verdadeiras amizades continuam a crescer mesmo a longas distâncias.".
Enfim, a vida surpreende-nos e bem.
Felicidades para ti, velha amiga, talvez um dia nos voltemos a encontrar...
terça-feira, 25 de novembro de 2014
sexta-feira, 10 de outubro de 2014
Reciprocamente atarantado
O nosso amor nasceu de um nada, para se transformar num tudo dia-sim dia-não. Até à cerca de 5 horas atrás pensei em escrever algo de bom relacionado contigo, contemplando toda a admiração e carinho que nutro por ti. (In)Felizmente tu deste a cara 30 minutos e 30 segundos depois quando destruís-te tudo com meia dúzia de palminhas.
Não é que eu já não te ame, mas a admiração que tinha desceu do Pólo-Norte para o Sul. Agora sim entendo a mudança que as nossas vidas vão levar se tudo terminar de vez, se é que já não terminou. Ando agora em busca de um novo rumo, deambulando aos zigue-zagues enquanto te juntas a "mais uma" das mil e umas formigas que coleccionas. Não é que eu queira fugir de um sentimento recíproco de amor-ódio, da contemplação do teu corpo em direcção ao meu (e vice-versa). A minha escolha baseia-se simplesmente na tua prepotência e gosto de magoar os outros, do egoísmo profundo que contempla o teu universo e me tenta prender. Perdoa-me ser meio obstinada, porque parto, mas as feridas vão comigo, servindo de balizas sem guarda-redes que só servem para "acertar em cheio".
Carregando no PLAY, aqui vou eu a um novo rumo.
Não é que eu já não te ame, mas a admiração que tinha desceu do Pólo-Norte para o Sul. Agora sim entendo a mudança que as nossas vidas vão levar se tudo terminar de vez, se é que já não terminou. Ando agora em busca de um novo rumo, deambulando aos zigue-zagues enquanto te juntas a "mais uma" das mil e umas formigas que coleccionas. Não é que eu queira fugir de um sentimento recíproco de amor-ódio, da contemplação do teu corpo em direcção ao meu (e vice-versa). A minha escolha baseia-se simplesmente na tua prepotência e gosto de magoar os outros, do egoísmo profundo que contempla o teu universo e me tenta prender. Perdoa-me ser meio obstinada, porque parto, mas as feridas vão comigo, servindo de balizas sem guarda-redes que só servem para "acertar em cheio".
Carregando no PLAY, aqui vou eu a um novo rumo.
quarta-feira, 24 de setembro de 2014
Um "Copy Paste" autorizado
« Namora uma rapariga que lê. Namora uma rapariga que gaste o dinheiro dela em livros, em vez de roupas. Ela tem problemas de arrumação porque tem demasiados livros. Namora uma rapariga que tenha uma lista de livros que quer ler, que tenha um cartão da biblioteca desde os doze anos.
Encontra uma rapariga que lê. Vais saber que é ela, porque anda sempre com um livro por ler dentro da mala. É aquela que percorre amorosamente as estantes da livraria, aquela que dá um grito imperceptível ao encontrar o livro que queria. Vês aquela miúda com ar estranho, cheirando as páginas de um livro velho, numa loja de livros em segunda mão? É a leitora. Nunca resistem a cheirar as páginas, especialmente quando ficam amarelas.
Ela é a rapariga que lê enquanto espera no café ao fundo da rua. Se espreitares a chávena, vês que a espuma do leite ainda paira por cima, porque ela já está absorta. Perdida num mundo feito pelo autor. Senta-te. Ela pode ver-te de relance, porque a maior parte das raparigas que lêem não gostam de ser interrompidas. Pergunta-lhe se está a gostar do livro.
Oferece-lhe outra chávena de café com leite.
Diz-lhe o que realmente pensas do Murakami. Descobre se ela foi além do primeiro capítulo da Irmandade. Entende que, se ela disser ter percebido o Ulisses de James Joyce, é só para soar inteligente. Pergunta-lhe se gosta da Alice ou se gostaria de ser a Alice.
É fácil namorar com uma rapariga que lê. Oferece-lhe livros no dia de anos, no Natal e em datas de aniversários. Oferece-lhe palavras como presente, em poemas, em canções. Oferece-lhe Neruda, Pound, Sexton, cummings. Deixa-a saber que tu percebes que as palavras são amor. Percebe que ela sabe a diferença entre os livros e a realidade – mas, caramba, ela vai tentar fazer com que a vida se pareça um pouco com o seu livro favorito. Se ela conseguir, a culpa não será tua.
Ela tem de arriscar, de alguma maneira.
Mente-lhe. Se ela compreender a sintaxe, vai perceber a tua necessidade de mentir. Atrás das palavras existem outras coisas: motivação, valor, nuance, diálogo. Nunca será o fim do mundo.
Desilude-a. Porque uma rapariga que lê compreende que falhar conduz sempre ao clímax. Porque essas raparigas sabem que todas as coisas chegam ao fim. Que podes sempre escrever uma sequela. Que podes começar outra vez e outra vez e continuar a ser o herói. Que na vida é suposto existir um vilão ou dois.
Porquê assustares-te com tudo o que não és? As raparigas que lêem sabem que as pessoas, tal como as personagens, evoluem. Excepto na saga Crepúsculo.
Se encontrares uma rapariga que leia, mantém-na perto de ti. Quando a vires acordada às duas da manhã, a chorar e a apertar um livro contra o peito, faz-lhe uma chávena de chá e abraça-a. Podes perdê-la por um par de horas, mas ela volta para ti. Falará como se as personagens do livro fossem reais, porque são mesmo, durante algum tempo.
Vais declarar-te num balão de ar quente. Ou durante um concerto de rock. Ou, casualmente, na próxima vez que ela estiver doente. Pelo Skype.
Vais sorrir tanto que te perguntarás por que é que o teu coração ainda não explodiu e espalhou sangue por todo o peito. Juntos, vão escrever a história das vossas vidas, terão crianças com nomes estranhos e gostos ainda mais estranhos. Ela vai apresentar os vossos filhos ao Gato do Chapéu e a Aslam, talvez no mesmo dia. Vão atravessar juntos os invernos da vossa velhice e ela recitará Keats, num sussurro, enquanto tu sacodes a neve das tuas botas.
Namora uma rapariga que lê, porque tu mereces. Mereces uma rapariga que te pode dar a vida mais colorida que consegues imaginar. Se só lhe podes oferecer monotonia, horas requentadas e propostas mal cozinhadas, estás melhor sozinho. Mas se queres o mundo e os mundos que estão para além do mundo, então, namora uma rapariga que lê.
Ou, melhor ainda, namora uma rapariga que escreve.»
De Rosemary Urquico
terça-feira, 9 de setembro de 2014
Travagem repentina
A paisagem bela que via pela janela do carro esmoreceu. Olho-a de relance e escondo-me. Escondo-me por medo da trovoada que me atrapalha o coração. Sou tua, sim. Hoje sei que sou tua, que te pertenço inteiramente como um alma pertence a um corpo em pleno. Talvez tenha, a muito custo, menos cinco décimas de independência do que antes. És tu meu amor, és tu a trovoada lá fora. Não tenho medo de ti, mas sim do percurso que as coisas podem tomar. Eu sei que o rio nasce da nascente, mas tu também sabes que, dependendo do seu curso, ele tanto pode cair na foz e dar no mar como se transformar numa cascata íngreme. Sabes os meus sonhos, mas também os meus medos, passado e presente, e o futuro, aposto que não o sabes mas imaginas. Ninguém, às vezes só eu, às vezes só tu, às vezes só o mundo, tem receio de mudar por uma felicidade que não é garantida. Uma coisa que te posso garantir, e talvez só a única, por muito árduo e íngreme seja o curso do rio, não me irei arrepender de teres feito parte dele, porque me trouxeste felicidade e experiências.
Obrigada por tudo, com a incerteza de que talvez tenhas de de ser tu a agradecer-me por ter aguentado tempo demais a teu lado.
Se me despedir, será com um beijo doce...
Obrigada por tudo, com a incerteza de que talvez tenhas de de ser tu a agradecer-me por ter aguentado tempo demais a teu lado.
segunda-feira, 28 de julho de 2014
Um Toque no Horizonte
Perdida entre falhanços e conquistas, mais para o primeiro do que para o segundo, a minha paciência e alegria não têm pedestal para se colocar. A origem do descontentamento que me penetra a alma vem de um quase-nada que caminha lado a lado com o meu quase-tudo nos dias úteis da semana. Sem folgas nem feriados, a desilusão e sofrimento são quase tão certos e infalíveis como a minha perspicácia para os prever. Conto pelos dedos as vezes que cri nas palavras ditas dessa tua boca triste e, por vezes, amarga como o cálice do licor sobre a mesa de apoio.
Os nossos sonhos desvanecem como as sombras de dois corpos juntos após a presença da claridade. Permaneceram as lembranças das palavras trocadas nas juras de amor eterno. Palavras que tanto eu como tu pensámos que bastaria para declarar uma união perfeita e eterna. Erro meu, e teu, por sonhar com uma eternidade tranquila e límpida, quando nem a meio do caminho as raízes nos prendem os pés e nos colocam literalmente de pernas para o ar.
Tal como tudo na vida tem um limite, a confiança que depositei em ti, ou falta dela, também atingiu o clímax. Ligou os máximos em direcção ao penhasco com o qual tive pesadelos durante 120 dias, a contar com o de hoje, e que desejei nunca ver no mundo real.
Talvez a razão do falhanço da melhor coisa que já me aconteceu seja a mesma de todas as coisas que já me aconteceram e, consequentemente, falharam - sou demasiado jovem, ou não, para renunciar a mim mesma. Renunciar de todas aquelas coisas boas que a vida me pode dar, toda a liberdade e vivacidade que tenho para ainda aproveitar - nada de noites de copos com as amigas, mas sim uma paz de espírito, orgulho independência de cortar a respiração. Perdoem a minha indelicadeza, não é por falta de vontade que não me entrego, mas quem disse que a insegurança é o pior inimigo de uma pessoa estava completamente certo.
Ainda assim, porque será que o orgulho separa ainda mais duas pessoas que nasceram para ficar juntas?
Os nossos sonhos desvanecem como as sombras de dois corpos juntos após a presença da claridade. Permaneceram as lembranças das palavras trocadas nas juras de amor eterno. Palavras que tanto eu como tu pensámos que bastaria para declarar uma união perfeita e eterna. Erro meu, e teu, por sonhar com uma eternidade tranquila e límpida, quando nem a meio do caminho as raízes nos prendem os pés e nos colocam literalmente de pernas para o ar.
Tal como tudo na vida tem um limite, a confiança que depositei em ti, ou falta dela, também atingiu o clímax. Ligou os máximos em direcção ao penhasco com o qual tive pesadelos durante 120 dias, a contar com o de hoje, e que desejei nunca ver no mundo real.
Ainda assim, porque será que o orgulho separa ainda mais duas pessoas que nasceram para ficar juntas?
quarta-feira, 2 de julho de 2014
Lembranças de bolso
Da amizade pouco ou nada sei, visitei somente meia dúzia de becos e ruelas desta ligação forte de união e companheirismo. Deixei algumas ruas por visitar, outras revistei-as ponta a ponta sem nada temer. Recebi tanto quanto dei, mas talvez te tivesse ficado a dever dois anos de loucura e uma pitada de extravagância por todos e mais alguns momentos que iremos viver juntas.
A separação custa de facto, e quem diz que uma grande amor nunca se esquece acertou em cheio no prémio alto da roleta. Eu aprendi isso contigo, que o amor de uma amizade é mais forte do que 7 paixões de uma vida, e que a cumplicidade de uma amizade como a nossa não se perde nem se apaga. Aprendemos ambas, ou melhor, tu relembraste-me, que os anos são meras correspondências que vão e vêm em correio azul e que se a,s pontes foram feitas para permitir andar entre dois locais o nosso amor pode andar em todas as pontes do mundo.
Se nada voltou ao normal, como nunca esteve antes (a nossa amizade sempre teve uma falta de sanidade mental) é porque há um tempo para tudo e, finalmente espero eu, esse tempo chegou.
Venham muitos e mais anos. Adoro-te Joaninha :)
A separação custa de facto, e quem diz que uma grande amor nunca se esquece acertou em cheio no prémio alto da roleta. Eu aprendi isso contigo, que o amor de uma amizade é mais forte do que 7 paixões de uma vida, e que a cumplicidade de uma amizade como a nossa não se perde nem se apaga. Aprendemos ambas, ou melhor, tu relembraste-me, que os anos são meras correspondências que vão e vêm em correio azul e que se a,s pontes foram feitas para permitir andar entre dois locais o nosso amor pode andar em todas as pontes do mundo.
Se nada voltou ao normal, como nunca esteve antes (a nossa amizade sempre teve uma falta de sanidade mental) é porque há um tempo para tudo e, finalmente espero eu, esse tempo chegou.
Venham muitos e mais anos. Adoro-te Joaninha :)
quarta-feira, 4 de junho de 2014
Conforto da tua presença
Não tentes ser algo que não és. Mostra que gostas de mim e me respeitas a cada estação do ano. Respeito. Mostra que o tens, por mim, por ti e por nós. O teu gostar feito de sussurro não nos leva a lado nenhum, e é essa uma das razões pela quais avanças-te um passo. Mostra-me o teu melhor, e pior também, porque é disso que os sonhos são feitos - do pior e do melhor do mundo. Não tentes ser melhor do que o passado, e não penses que és o futuro. Tu não és o passado e só o futuro dirá se o serás. Não me tomes por garantida, nem a mim nem a nenhuma outra mulher que se interpele no teu caminho. Mostra as tuas dez facetas, ou mais se as tiveres, porque ninguém tem só uma faceta e o amor que construo sobre ti vai englobá-las a todas.
Conta-me histórias, ensina-me a gostar de mim mais do que eu já gosto para poder te amar infinitamente a cada folha de Outono que cai. Rega o jardim da vida comigo, ou pelo menos, de umas das fases da nossa vida para que as borboletas venham até nós nos contemplar com emoções fortes. Dá-me o melhor de ti, e juntamente com o vento que te percorre a ponta dos dedos eu darei o melhor de mim, para que tires o melhor partido de tudo aquilo que te posso dar.
Por último ama-me. Talvez isto seja uma condição precária com o englobamento de emoções dolorosas para ti. Ainda assim, tenta, porque verás que ser amado não será aquilo que te dizem que na realidade é, mas aquilo que eu te mostrarei nos meus detalhes, permanecendo no descontentamento das tuas tristezas e mostrando que, mesmo longe, o meu abraço será o teu lar.
Conta-me histórias, ensina-me a gostar de mim mais do que eu já gosto para poder te amar infinitamente a cada folha de Outono que cai. Rega o jardim da vida comigo, ou pelo menos, de umas das fases da nossa vida para que as borboletas venham até nós nos contemplar com emoções fortes. Dá-me o melhor de ti, e juntamente com o vento que te percorre a ponta dos dedos eu darei o melhor de mim, para que tires o melhor partido de tudo aquilo que te posso dar.Por último ama-me. Talvez isto seja uma condição precária com o englobamento de emoções dolorosas para ti. Ainda assim, tenta, porque verás que ser amado não será aquilo que te dizem que na realidade é, mas aquilo que eu te mostrarei nos meus detalhes, permanecendo no descontentamento das tuas tristezas e mostrando que, mesmo longe, o meu abraço será o teu lar.
domingo, 4 de maio de 2014
Encontro imprevisível com a paz
Desejo-te todos os dias desde o momento em que trocámos as primeiras palavras, e hoje, mesmo estando certa desta nossa aventura tão pouco oficializada, continuo a desejar-te mais do que ontem.
Sempre que penso em ti vem-me subitamente uma única palavra à cabeça, um "OBRIGADA" sincero e puro, no qual não te peço nem cobro nada. A razão desta palavra dedicada a ti é só uma - Obrigada por teres entrado na minha vida e fazeres do meu caminho um lugar melhor. Espero conseguir ver o teu lado da história como um ponto de vista do qual vês o meu.
Se o é para ser agora, então és tu o lugar certo, o momento certo e a hora certa.
sexta-feira, 18 de abril de 2014
Leves arrepios
Novamente, sem saber como nem porquê, a temperatura esfriou. A magnitude interior do meu ser aumentou gradualmente atingindo o pico de nostalgia constante. Desta vez não foi outra volta de 180º, mas mais um regresso a uma rotina que, embora eu pensasse estar meio enterrada, permanece arrastando os meus dias mais sombrios. Pela centésima vez ou mais, até já lhes perdi a conta, esta reviravolta constante não se deve à típica e mesquinha frase "As pessoas mudam", pois a única responsável por este efeito contraditório rotineiro sou eu mesma e considero-me a mesma pessoa que era à uns anos atrás.
Cheguei à conclusão que quanto mais convicção e crenças possuímos, mais o caminho da desgraça e tédio se torna visível e fácil de atingir. Os momentos não são vividos de modo contínuo, a expectativa rodeia-nos, apodera-se e torna-nos felizes e frágeis durante um período de tempo limitado que nos leva no segundo a seguir a uma amargura peculiar e pessoal. Coisas da vida...! Ou então, situações que o comum dos mortais assim denomina para não referir que os momentos infelizes envolvem 90% da nossa vida.
"Mariquices" e tédios à parte, mantenho-me firme, após estes 10 minutos contínuos de escrita intensa e de desabafos, esperando novamente por outra reviravolta interessante.
sábado, 5 de abril de 2014
Renascimento
Não sei se foi da chuva de S.Pedro ou do frio de Abril, mas subitamente um calor agradável invadiu o meu corpo dos pés à cabeça. Fez-se Sol, e no minuto a seguir renasci por completo em busca de um novo modo de vida. Tento divagar pelos meus pensamentos à espera de encontrar uma explicação para tanta sorte e ao mesmo tempo para tanta novidade à minha volta. A sensação traz-me uma nitidez quase perfeita das coisas, e um sentimento tão bom ou melhor como aquele que senti de todas as vezes que recebi a prenda que pedi ao "Pai Natal" quando ainda me faltavam os dentes na boca.
Costuma dizer-se, por aí, que quando esperamos as coisas boas chegam. Verdade seja dita, eu nunca esperei por nada, nunca soube ao certo se esse certo viria e como viria. Mas chegou, não importa como nem porquê, chegou meio inteiro meio desfeito, com uma luminosidade e brilho incrivelmente invejáveis, sem explicações, nem palavras.
Então, criou-se a ligação, aquela mesma ligação que criamos com o nosso primeiro boneco, e cuidamos dele até que ele se estrague sem por de parte a hipótese de cuidar dele até um "sempre".
Na realidade, o que faz do certo ser "certo" se a aventura da paixão é associada a um diletantismo profundo? Ninguém sabe, nunca ninguém saberá, todos aqueles que, por medo ou outra coisa qualquer ficarem na meta entre o que "deve ser feito" e aquilo que "nos faz feliz", nunca o saberão. Por isso arrisco, não querendo ser igual a ninguém, nem ficando num mar de desespero e em tête-à-tête com as minhas angústias.
Se nenhum homem se banha duas vezes na água do mesmo rio, então, desta vez não será igual às tantas outras vezes, porque na realidade, a vírgula nunca está na mesma posição ao longo da minha vida (...)
Costuma dizer-se, por aí, que quando esperamos as coisas boas chegam. Verdade seja dita, eu nunca esperei por nada, nunca soube ao certo se esse certo viria e como viria. Mas chegou, não importa como nem porquê, chegou meio inteiro meio desfeito, com uma luminosidade e brilho incrivelmente invejáveis, sem explicações, nem palavras.
Então, criou-se a ligação, aquela mesma ligação que criamos com o nosso primeiro boneco, e cuidamos dele até que ele se estrague sem por de parte a hipótese de cuidar dele até um "sempre".
Na realidade, o que faz do certo ser "certo" se a aventura da paixão é associada a um diletantismo profundo? Ninguém sabe, nunca ninguém saberá, todos aqueles que, por medo ou outra coisa qualquer ficarem na meta entre o que "deve ser feito" e aquilo que "nos faz feliz", nunca o saberão. Por isso arrisco, não querendo ser igual a ninguém, nem ficando num mar de desespero e em tête-à-tête com as minhas angústias.
Se nenhum homem se banha duas vezes na água do mesmo rio, então, desta vez não será igual às tantas outras vezes, porque na realidade, a vírgula nunca está na mesma posição ao longo da minha vida (...)
terça-feira, 25 de março de 2014
Claridade
O nevoeiro desapareceu na linha do horizonte. Deixei de te ver e meia dúzia de momentos depois deixei igualmente de te sentir. A tua ausência tornou-se a combinação perfeita dos meus dias e noites. Arrastas-te com o frio da noite nos meus pensamentos e tentas perpetuar-te no coração, no qual não te dou permissão para voltar a entrar. Lembrar que já não me prendes é a ferramenta chave que me permite o acesso a novas aventuras, enquanto as minhas expectativas crescem num tom de azul ciano sem medo de falhas. Apenas ficou o que tinha de ficar, o que realmente é importante e me faz verdadeiramente bem ao som de uma melodia agradável. Sem medos, vou fazer o que fiz ontem e o que fiz sempre - seguir o coração, sem impedimentos banais.
Se é para tentar, seguirei em frente!
Se é para tentar, seguirei em frente!
domingo, 16 de março de 2014
Novo rumo
A persuasão que incidias sobre mim desapareceu. Já não me encadeias, mas também ainda não me permites ver com nitidez tudo o que gira à minha volta.
Esta sensação de liberdade é única e exclusivamente minha, por isso, por favor não te metas novamente. Abri-te a minha mão para pousares, mas também para partires no momento em que desejaste. A minha consciência está limpa e positivamente tranquila. Tomei consciência das oportunidades que ganhei quando me libertei das tuas garras, que já nada tinham mais para dar. Não te esqueço, não te preocupes. Levo-te na lembrança, mas deixo-te para trás. Perdoa a minha falta de sensibilidade em querer libertar-me de ti, já não tens mais espaço no meu coração.
Sempre que se fecha uma porta, uma nova janela se abre, e no mesmo instante também novas constelações de se formam. Já não somos um, e pelas minhas contas meticulosamente calculadas nunca mais seremos. Já não procuro o teu olhar, nem o teu cheiro ao passares por mim. De repente, a tua presença tornou-se num tanto-faz que me passa tão ao lado como uma rajada leve de vento.
Assim me despeço caro desconhecido, obrigada por tudo o que me deste e porque tudo o que me fizeste dar. Desejo-te toda a felicidade divina, longe de mim, longe do mundo, que nos permite passar ao estádio de sermos dois conhecidos que se conhecem muito bem.
Esta sensação de liberdade é única e exclusivamente minha, por isso, por favor não te metas novamente. Abri-te a minha mão para pousares, mas também para partires no momento em que desejaste. A minha consciência está limpa e positivamente tranquila. Tomei consciência das oportunidades que ganhei quando me libertei das tuas garras, que já nada tinham mais para dar. Não te esqueço, não te preocupes. Levo-te na lembrança, mas deixo-te para trás. Perdoa a minha falta de sensibilidade em querer libertar-me de ti, já não tens mais espaço no meu coração.
Sempre que se fecha uma porta, uma nova janela se abre, e no mesmo instante também novas constelações de se formam. Já não somos um, e pelas minhas contas meticulosamente calculadas nunca mais seremos. Já não procuro o teu olhar, nem o teu cheiro ao passares por mim. De repente, a tua presença tornou-se num tanto-faz que me passa tão ao lado como uma rajada leve de vento.
Assim me despeço caro desconhecido, obrigada por tudo o que me deste e porque tudo o que me fizeste dar. Desejo-te toda a felicidade divina, longe de mim, longe do mundo, que nos permite passar ao estádio de sermos dois conhecidos que se conhecem muito bem.
quinta-feira, 6 de março de 2014
Alternância Sentimental
« És a mulher da minha vida » - disse ele, 730 vezes.
Não lhe mentiu ao dizê-lo, se o disse, talvez seja verdade, nunca se saberá.
Ela apenas sorria, sem saber o porquê de tudo aquilo, que era tão perfeito, lhe estar a acontecer. Vagueava pelas ruas do amor, de sorriso nos lábios e cabelo ao vento. Não soube durante aqueles anos o que era a solidão até esta lhe bater à porta.
Nunca houvera tempo mais feliz na vida dela como aquele que passou ao lado dele. Não viviam uma vida invejável, mas também não parecia uma felicidade de novela. Todos os dias se viam, e todos os dias eram uma novidade e aventura. Não era só sexo, e o físico ardente de dois corpos que se se contemplavam mutuamente. Talvez fosse amor, mais concretamente carinho. Havia neles algo invejável aos olhos dos outros. Nunca ninguém diria que o fim estaria próximo, excepto eles, que no fundo pressentiam isso melhor do que ninguém. Rastejaram largos dias tentando obter uma solução que não chegou, e a lutar por algo que não existia, segundo ele. Matavam-se e esfolavam-se como ninguém, e no mesmo instante e com a mesma força, beijavam-se e protegiam-se como dois Deuses que controlavam as força da natureza.
Ninguém sabe deles agora... Vivem tão estupidamente perto e tão espiritualmente longe um do outro. Nada restou, excepto a memória dele que ela tanto ama e a memória dela que ele evita.
Está provado, pelas forças dos sentimentos que não resultou e não poderia ter resultado. É claro, isto digo eu, e diz ela.
Não lhe mentiu ao dizê-lo, se o disse, talvez seja verdade, nunca se saberá.
Ela apenas sorria, sem saber o porquê de tudo aquilo, que era tão perfeito, lhe estar a acontecer. Vagueava pelas ruas do amor, de sorriso nos lábios e cabelo ao vento. Não soube durante aqueles anos o que era a solidão até esta lhe bater à porta.
Nunca houvera tempo mais feliz na vida dela como aquele que passou ao lado dele. Não viviam uma vida invejável, mas também não parecia uma felicidade de novela. Todos os dias se viam, e todos os dias eram uma novidade e aventura. Não era só sexo, e o físico ardente de dois corpos que se se contemplavam mutuamente. Talvez fosse amor, mais concretamente carinho. Havia neles algo invejável aos olhos dos outros. Nunca ninguém diria que o fim estaria próximo, excepto eles, que no fundo pressentiam isso melhor do que ninguém. Rastejaram largos dias tentando obter uma solução que não chegou, e a lutar por algo que não existia, segundo ele. Matavam-se e esfolavam-se como ninguém, e no mesmo instante e com a mesma força, beijavam-se e protegiam-se como dois Deuses que controlavam as força da natureza.
Ninguém sabe deles agora... Vivem tão estupidamente perto e tão espiritualmente longe um do outro. Nada restou, excepto a memória dele que ela tanto ama e a memória dela que ele evita.
Está provado, pelas forças dos sentimentos que não resultou e não poderia ter resultado. É claro, isto digo eu, e diz ela.
terça-feira, 25 de fevereiro de 2014
Lembrança Desfocada
Hoje encontrei-te nos meus pensamentos mais remotos. Lembro-me de ti todos os dias desde a semana passada. O fim de semana fez-me lembrar um filme chamado "Tempestade no Deserto", porque quando pensei que já não havia nada mais para sentir a saudade apoderou-se de mim de um modo tal, que me impedia de respirar confortavelmente.
Levo-te no pensamento e ainda no coração, na certeza de que tão depressa não há dois continentes que te separem de mim. Eras para mim tudo aquilo que sempre quis, e tudo aquilo que sempre precisei.
Vejo-te à distância, mas não consigo segredar a ninguém que ainda sinto palpitações como se o meu órgão de sobrevivência ganha-se pernas e anda-se em direcção a ti.
Lembrei-me que não gostas de queijo, é fácil lembrar-me de ti quando me lembro de queijo. Ridículo isto, eu sei, mas és a única pessoa que não gosta de queijo.
Não me perguntem se ainda te amo, aliás não me perguntem nada relacionado connosco. Achei mesmo que já tudo tinha acalmado, e que os ventos do Norte não me afugentavam mais. Era mentira, tal como tudo. Não tudo o que escrevi, não tudo o que senti, mas tudo aquilo em que acreditei.
Levo-te no pensamento e ainda no coração, na certeza de que tão depressa não há dois continentes que te separem de mim. Eras para mim tudo aquilo que sempre quis, e tudo aquilo que sempre precisei.
Vejo-te à distância, mas não consigo segredar a ninguém que ainda sinto palpitações como se o meu órgão de sobrevivência ganha-se pernas e anda-se em direcção a ti.
Lembrei-me que não gostas de queijo, é fácil lembrar-me de ti quando me lembro de queijo. Ridículo isto, eu sei, mas és a única pessoa que não gosta de queijo.
Não me perguntem se ainda te amo, aliás não me perguntem nada relacionado connosco. Achei mesmo que já tudo tinha acalmado, e que os ventos do Norte não me afugentavam mais. Era mentira, tal como tudo. Não tudo o que escrevi, não tudo o que senti, mas tudo aquilo em que acreditei.
sábado, 22 de fevereiro de 2014
Voo em busca da liberdade
Divago pelo mundo com um sorriso nos lábios, na certeza de que os outros não se deparam com a minha angústia escondida. Aqui e acolá, mais concretamente no lado esquerdo do meu peito escondem-se os sentimentos mais remotos possíveis - Isto significa que uma nova oportunidade surgiu no meu caminho.
Um sorriso vem na minha direcção... Perco-me a fazer dó-li-tá entre aqui que quero e aquilo que é melhor para mim. Nenhuma opção me parece favorável à minha felicidade, ou aos curtos momentos dela.
Ainda à pouco me libertei de uma gaiola onde fui tão intensamente feliz, e já está outra pronta para me prender mais uma vez. Não anseio nenhum alojamento de luxo naqueles trinta centímetros de largura, quando tenho 250 km de comprimento que me esperam. Não devo nada a ninguém, nem mesmo ao tique-taque do bater do coração que me mantém viva, por isso prefiro manter-me como estou - mergulhadora profissional de livros num mundo livre.
Isto de ficar na gaiola cansa muito... A não ser que o motivo pelo qual se fica seja fruto de um sentimento, e não de um pensamento.
Um sorriso vem na minha direcção... Perco-me a fazer dó-li-tá entre aqui que quero e aquilo que é melhor para mim. Nenhuma opção me parece favorável à minha felicidade, ou aos curtos momentos dela.
Ainda à pouco me libertei de uma gaiola onde fui tão intensamente feliz, e já está outra pronta para me prender mais uma vez. Não anseio nenhum alojamento de luxo naqueles trinta centímetros de largura, quando tenho 250 km de comprimento que me esperam. Não devo nada a ninguém, nem mesmo ao tique-taque do bater do coração que me mantém viva, por isso prefiro manter-me como estou - mergulhadora profissional de livros num mundo livre.
Isto de ficar na gaiola cansa muito... A não ser que o motivo pelo qual se fica seja fruto de um sentimento, e não de um pensamento.
sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014
Relato de uma mente nostálgica em busca do paraíso
Condensam-se na minha mente pensamentos obscuros cuja origem desconheço. Cansei-me de ouvir palavras sem nexo de pessoas cuja noção da realidade é igual a zero, e de trocar olhares que me fazem limpar as lentes dos óculos. Cansei que me digam que sou capaz de algo, quando eu sei que sou capaz de tudo. Afinal, "tenho em mim todos os sonhos do mundo", e o que mais quero é ser LIVRE.
Desejo com profunda ansiedade um silêncio permanente que dominaria todas as ruelas por onde me arrasto. Dou oportunidade a mim mesma de pensar num novo rumo, de aprender outra arte de viver, arte partilhada a dois. Os sorrisos multiplicam-se no mesmo segundo que a minha imaginação...
Desejo com profunda ansiedade um silêncio permanente que dominaria todas as ruelas por onde me arrasto. Dou oportunidade a mim mesma de pensar num novo rumo, de aprender outra arte de viver, arte partilhada a dois. Os sorrisos multiplicam-se no mesmo segundo que a minha imaginação...
sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014
Passado vs. Presente
As memórias frescas do final apagam-se e inicia-se um novo amor. A sombra do passado continua amarga, intacta como a peça mais importante de um museu, mas alcança finalmente o seu fim. Do mesmo modo que as noites se encontram com os dias, o sol encontra-se com os raios e as nuvens com o céu.
O que resta do ontem guardo num baú chamado coração, que o tempo já não me permite abrir de novo - deitei a chave fora, via-a afundar-se num rio de lágrimas que, agora, uma luz que trás alegrias não me deixa ver.
Mergulhei num mar de amarguras, andei por terrenos de lama, quase me afundei nela, mas procurei bem no meio as raízes das plantas que permitiram ter força para me levantar. Para a vida, fiquei não só de frente, como sempre, mas desta vez de pé e firme. Agarrei com as força de mil homens os novos sonhos e fantasias que por ali passaram. Agarrei com as minhas mãos os sons que vinham de uma boca, cujo carinho era uma ilusão. Desta vez contive-me, não tive sede e não bebi nem uma lágrima das que estavam engarrafadas no meu interior. Então, no brilho dos meus olhos reflectem-se duas imagens que me deturpam o pensamento, aquela que que contém uma falsa esperança, e aquela que o meu orgulho não permite ver com nitidez.
O que resta do ontem guardo num baú chamado coração, que o tempo já não me permite abrir de novo - deitei a chave fora, via-a afundar-se num rio de lágrimas que, agora, uma luz que trás alegrias não me deixa ver.
Mergulhei num mar de amarguras, andei por terrenos de lama, quase me afundei nela, mas procurei bem no meio as raízes das plantas que permitiram ter força para me levantar. Para a vida, fiquei não só de frente, como sempre, mas desta vez de pé e firme. Agarrei com as força de mil homens os novos sonhos e fantasias que por ali passaram. Agarrei com as minhas mãos os sons que vinham de uma boca, cujo carinho era uma ilusão. Desta vez contive-me, não tive sede e não bebi nem uma lágrima das que estavam engarrafadas no meu interior. Então, no brilho dos meus olhos reflectem-se duas imagens que me deturpam o pensamento, aquela que que contém uma falsa esperança, e aquela que o meu orgulho não permite ver com nitidez.
Sonhos
Pairam na minha mente pensamentos obscuros. Saltitam para
aqui e acolá entre aquilo que sinto e aquilo que acho que sinto.
Mantenho-me a pé na ânsia de conseguir fechar os olhos e
realizar uma introspecção. Os pés permanecem na terra, mas a alma paira no meio
de outras, que tal como tantos navios andam à deriva. Deixei o coração no leme, como se ele fosse o
capitão de todos os meus sonhos, o primeiro passo do rumo que tomarei um dia.
Adio eternamente a viagem do amo, não por receio, mas pela pouca vontade de
encontrar as léguas que me levam ao porto para encalhar nesse lugar. Adio os
laços, mas nunca mais deixarei para trás todos os que já criei. Tenho nos meus
sonhos metade das cores do mundo. Metade, porque parte delas ficou nos meus
sonhos de criança, e a outra parte, descobrirei nos sonhos do futuro. Já quis
ser princesa, astronauta, bióloga. Já quis ser famosa, ter dinheiro para
comprar todos os meus sonhos. Acordei num momento inoportuno, na passagem da
fase rebelde para a vida adulta. Percebi que, até aí eram só sonhos.Que o amor não é comprado nem os sonhos são vendidos. Por isso, vivo, corro mundo. Anseio conhecer novos sonhos, mas sonhos meus, e não de alguém cujo sonho é fazer parte da minha vida…Porque fazer parte da vida de alguém não é sonho, é uma escolha. E o sonho continua vivo, só restará um dia a pena de ter perdido o contacto com a realidade, porque não é só de sonhos que o homem vive. É a insatisfação que nos mantém vivos, é a vontade de fugir e procurar o outro que nos dá esperança. Pois os sonhos, ficaram pelo caminho, abandonados como uma coisa qualquer, como se não fizessem parte de nós. Quando isso acontece, é porque alguém entra na nossa vida. E aí, os sonhos não são só pessoais, mas a dois. E se um dia eu os conseguir pintar? De que cor serão os meus sonhos a dois? Interrogo-me inúmeras vezes sobre isto, e a pensar eu que já poderia ter sabido de que cor eles eram enquanto os tive…
E mais uma vez aqui permaneço, consciente de que a melhor
coisa que a vida me pode dar é a capacidade de sonhar, de poder estar onde não
estou, de poder contar com quem nunca pude contar, e que alguém estará um dia
do meu lado, relembrando-me que o sonho humano é um mal comum. Que o silêncio
constrangedor, é somente uma forma de diálogo entre amigos improváveis, e que
por muitas coisas que hajam por dizer e fazer, a terra continua a girar.
Os meus sonhos são efémeros, como uma lufada de ar fresco
para os outros numa tarde de Verão. Sonhos… Onde estão? Não têm metade da cor,
nem metade do brilho, e como anseava saber de que cor seriam…
quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014
Já fui
Já naveguei por mares desconhecidos de ódios e paixões. Já
fui bebé, criança, adolescente. Já fui pequena, mas grande só fui no sentido.
Já andei pelas ruas da amargura. Fui feliz, aqui e acolá em períodos remotos da
minha existência. Conheci cidades, terras, pessoas. Conheci pessoas e seres.
Honestamente, conheci meia dúzia de boas pessoas e centenas de seres vivos. Já
odiei, já chorei. Já fui infantil. Já amei, ou pensei ter amado alguém que por
sorte me correspondeu.
Todos os meus dias são compostos de passado e presente e
futuro. Eu fui, eu sou, e serei, tudo só no mesmo dia. Brilhante! Talvez seja
esse o mistério da rotina diária dos seres comuns. Sim comum, porque a minha
significância ou qualquer rasto dela está nos outros não em mim. Eu sou somente
o lugar onde me encontro, e o que faço com a minha vida. Significo para os
outros não o que eu quero e desejo ansiosamente, mas aquilo que eles querem eu
eu signifique. Bolas! Quase me esquecia que não nasci para agradar ninguém.
Sim, chamem-lhe egoísmo ou outra palavra cara que inventem no vosso dicionário
pessoal. Eu cá chamo-lhe a realidade, porque sou assim. Uma sonhadora –
realista que voa alto, mas com um pé assente no chão. Os meus pensamentos
oscilam entre o bem e o mal, entre o certo e o errado, e no fundo, bem lá no
fundo, procuro significado para sentimentos que ou existem e quero evitar, ou
que eu própria invento. Talvez por isso eu seja uma pessoa comum, no meio de
tantas outras. E essa sensação de comum é tão boa, por vezes, não ter de desiludir
ninguém com promessas fictícias! Com deveres que sufocam qualquer alma pura!
Para depois mergulhar num mar de infortúnios e amarguras? Para nadar até ao
fundo, cair e deixar-me abater numa maré de frustração? Assim sendo, prefiro
perder-me no meio dos meus próprios pensamentos, mas estar certa de cada
vírgula, ao invés de gritar ao mundo, algo que nem no âmago do meu ser pode ser
compreendido.
terça-feira, 4 de fevereiro de 2014
Amor Falado
Detesto quando me falam de amor. Pairam-me nos ouvidos
significados banais, como se fosse preciso um curso superior para saber amar.
Opiniões ridículas, que me entram a cem e saem a mil.
Há que ceder a entrada do coração sem exigências.
Saborear o
corpo, sentir o calor como se fosse a primeira, e no mesmo instante, a última
vez. Há que manter o coração quente, mesmo quando o corpo gela de igual modo que um corpo morto. Há que falar de ternura, e mandar as mãos procurar o calor
interior do outro.
Talvez esteja eu a ser mais um ser banal no meio de biliões,
a procurar definições para algo que nem sei se existe.
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