« És a mulher da minha vida » - disse ele, 730 vezes.
Não lhe mentiu ao dizê-lo, se o disse, talvez seja verdade, nunca se saberá.
Ela apenas sorria, sem saber o porquê de tudo aquilo, que era tão perfeito, lhe estar a acontecer. Vagueava pelas ruas do amor, de sorriso nos lábios e cabelo ao vento. Não soube durante aqueles anos o que era a solidão até esta lhe bater à porta.
Nunca houvera tempo mais feliz na vida dela como aquele que passou ao lado dele. Não viviam uma vida invejável, mas também não parecia uma felicidade de novela. Todos os dias se viam, e todos os dias eram uma novidade e aventura. Não era só sexo, e o físico ardente de dois corpos que se se contemplavam mutuamente. Talvez fosse amor, mais concretamente carinho. Havia neles algo invejável aos olhos dos outros. Nunca ninguém diria que o fim estaria próximo, excepto eles, que no fundo pressentiam isso melhor do que ninguém. Rastejaram largos dias tentando obter uma solução que não chegou, e a lutar por algo que não existia, segundo ele. Matavam-se e esfolavam-se como ninguém, e no mesmo instante e com a mesma força, beijavam-se e protegiam-se como dois Deuses que controlavam as força da natureza.
Ninguém sabe deles agora... Vivem tão estupidamente perto e tão espiritualmente longe um do outro. Nada restou, excepto a memória dele que ela tanto ama e a memória dela que ele evita.
Está provado, pelas forças dos sentimentos que não resultou e não poderia ter resultado. É claro, isto digo eu, e diz ela.
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