Contei as pétalas a flor do teu jardim, tantas vezes quanto tu contaste as coisas más pelas quais nós passámos - Nenhuma. Mas saberia, na perfeição, num jogo infantil do bem-me-quer e mal-me-quer que iria surgir no fim um empate crucial.
Na minha cabeça gira um túmulo de dúvidas, no qual tu resides metaforicamente para me ajudar, ou talvez mesmo atrapalhar nos dias mais frios. Às vezes dou comigo a alucinar, e confesso que creio durante um milésimo de segundo nesse tópico, que tu és um género de Gato no filme de Alice no País das Maravilhas. Não entendo muito bem esse teu olhar de relutância em relação a nós e, só Deus sabe se algum dia irei entender. Somos como as estações do ano, mas num ciclo não tão semelhante e mais confuso do que aquele. A verdade é que, se reflectires no assunto, temos tantas primaveras, mas a mesma árvore muda com o passar de cada uma. Nunca mais é a mesma. E é daí que provém a minha indignação, ou então qualquer rasto de incerteza ou insegurança. Qual a razão de tudo isto? Qual a razão de todos os encontros e desencontros entre nós, se no final acabamos sempre por ser os mesmos arbustos? De todas as coisas que já vi, és decerto tanto a melhor como a pior, não fosse eu uma profissional em "detectar os defeitos em ti". Eu sei, sou do pior que existe neste mundo... E, muito sinceramente, nunca serei a princesa que sempre sonhaste. Fico-me apenas por alguém que toca a alma dia-sim, dia-não e que te chega ao coração. Melhor do que nada, mas tinha expectativas mais altas em relação ao nosso "amor enternecido", e talvez seja aí que reside o problema de um matar e o outro esfolar. Melhores dias virão, ou não, e, seja como amantes ou como amigos, serás sempre o meu primeiro pensamento ao acordar. Como vês, a eternidade é uma questão de duração.
