Já naveguei por mares desconhecidos de ódios e paixões. Já
fui bebé, criança, adolescente. Já fui pequena, mas grande só fui no sentido.
Já andei pelas ruas da amargura. Fui feliz, aqui e acolá em períodos remotos da
minha existência. Conheci cidades, terras, pessoas. Conheci pessoas e seres.
Honestamente, conheci meia dúzia de boas pessoas e centenas de seres vivos. Já
odiei, já chorei. Já fui infantil. Já amei, ou pensei ter amado alguém que por
sorte me correspondeu.
Todos os meus dias são compostos de passado e presente e
futuro. Eu fui, eu sou, e serei, tudo só no mesmo dia. Brilhante! Talvez seja
esse o mistério da rotina diária dos seres comuns. Sim comum, porque a minha
significância ou qualquer rasto dela está nos outros não em mim. Eu sou somente
o lugar onde me encontro, e o que faço com a minha vida. Significo para os
outros não o que eu quero e desejo ansiosamente, mas aquilo que eles querem eu
eu signifique. Bolas! Quase me esquecia que não nasci para agradar ninguém.
Sim, chamem-lhe egoísmo ou outra palavra cara que inventem no vosso dicionário
pessoal. Eu cá chamo-lhe a realidade, porque sou assim. Uma sonhadora –
realista que voa alto, mas com um pé assente no chão. Os meus pensamentos
oscilam entre o bem e o mal, entre o certo e o errado, e no fundo, bem lá no
fundo, procuro significado para sentimentos que ou existem e quero evitar, ou
que eu própria invento. Talvez por isso eu seja uma pessoa comum, no meio de
tantas outras. E essa sensação de comum é tão boa, por vezes, não ter de desiludir
ninguém com promessas fictícias! Com deveres que sufocam qualquer alma pura!
Para depois mergulhar num mar de infortúnios e amarguras? Para nadar até ao
fundo, cair e deixar-me abater numa maré de frustração? Assim sendo, prefiro
perder-me no meio dos meus próprios pensamentos, mas estar certa de cada
vírgula, ao invés de gritar ao mundo, algo que nem no âmago do meu ser pode ser
compreendido.

Vim parar aqui nem sei como, mas foi uma grande descoberta!
ResponderEliminarAdoro seus textos e admiro muito essa sua coragem em tornar público suas reflexões, seus pensamentos tão privados e pessoais.
Gosto especialmente deste texto, me diz muito!
Aguardo mais,,
Vítor
Muito obrigada, Vítor, pela sua consideração e gosto pelos meus textos. Vou publicando alguns, por isso sempre que quiser pode aqui passar para os ler!
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