sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

Passado vs. Presente

As memórias frescas do final apagam-se e inicia-se um novo amor. A sombra do passado continua amarga, intacta como a peça mais importante de um museu, mas alcança finalmente o seu fim. Do mesmo modo que as noites se encontram com os dias, o sol encontra-se com os raios e as nuvens com o céu.
O que resta do ontem guardo num baú chamado coração, que o tempo já não me permite abrir de novo - deitei a chave fora, via-a afundar-se num rio de lágrimas que, agora, uma luz que trás alegrias não me deixa ver.
Mergulhei num mar de amarguras, andei por terrenos de lama, quase me afundei nela, mas procurei bem no meio as raízes das plantas que permitiram ter força para me levantar. Para a vida, fiquei não só de frente, como sempre, mas desta vez de pé e firme. Agarrei com as força de mil homens os novos sonhos e fantasias que por ali passaram. Agarrei com as minhas mãos os sons que vinham de uma boca, cujo carinho era uma ilusão. Desta vez contive-me, não tive sede e não bebi nem uma lágrima das que estavam engarrafadas no meu interior. Então, no brilho dos meus olhos reflectem-se duas imagens que me deturpam o pensamento, aquela que que contém uma falsa esperança, e aquela que o meu orgulho não permite ver com nitidez.

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