Perdida entre falhanços e conquistas, mais para o primeiro do que para o segundo, a minha paciência e alegria não têm pedestal para se colocar. A origem do descontentamento que me penetra a alma vem de um quase-nada que caminha lado a lado com o meu quase-tudo nos dias úteis da semana. Sem folgas nem feriados, a desilusão e sofrimento são quase tão certos e infalíveis como a minha perspicácia para os prever. Conto pelos dedos as vezes que cri nas palavras ditas dessa tua boca triste e, por vezes, amarga como o cálice do licor sobre a mesa de apoio.
Os nossos sonhos desvanecem como as sombras de dois corpos juntos após a presença da claridade. Permaneceram as lembranças das palavras trocadas nas juras de amor eterno. Palavras que tanto eu como tu pensámos que bastaria para declarar uma união perfeita e eterna. Erro meu, e teu, por sonhar com uma eternidade tranquila e límpida, quando nem a meio do caminho as raízes nos prendem os pés e nos colocam literalmente de pernas para o ar.
Tal como tudo na vida tem um limite, a confiança que depositei em ti, ou falta dela, também atingiu o clímax. Ligou os máximos em direcção ao penhasco com o qual tive pesadelos durante 120 dias, a contar com o de hoje, e que desejei nunca ver no mundo real.

Talvez a razão do falhanço da melhor coisa que já me aconteceu seja a mesma de todas as coisas que já me aconteceram e, consequentemente, falharam - sou demasiado jovem, ou não, para renunciar a mim mesma. Renunciar de todas aquelas coisas boas que a vida me pode dar, toda a liberdade e vivacidade que tenho para ainda aproveitar - nada de noites de copos com as amigas, mas sim uma paz de espírito, orgulho independência de cortar a respiração. Perdoem a minha indelicadeza, não é por falta de vontade que não me entrego, mas quem disse que a insegurança é o pior inimigo de uma pessoa estava completamente certo.
Ainda assim, porque será que o orgulho separa ainda mais duas pessoas que nasceram para ficar juntas?