terça-feira, 25 de novembro de 2014

Metade da Lucidez

Após algum tempo afastada, junto aqueles que me amam, chego à conclusão que na amizade não pode haver nem obrigações nem tormentos. A diferença entre o prazer da companhia do outro e o "acorrentar de uma alma" é igual à distância do meu olhar à lua. Ser amigo não é só apoiar-te quando estás quase a mutilar-te só porque levaste uma tampa daquelas e achas que o mundo acabou, não é literalmente horas passadas à volta de uma mesa a beber umas cervejas, ou a ganhar umas calorias enquanto falamos dos nossos ex namorados e das figuras que fizemos quando andávamos na escola. Percebo agora a tua indiferença quanto a toda a gente, sobretudo comigo, a forma fria como me tratas e olhas, a mim e a quem te adora. Já não és a mesma desde à muito tempo, e a culpa disso é também muito minha, confesso. No entanto, não me vou martirizar, nem ficar com peso na consciência por não conseguir salvar uma amizade que no fim estava condenada. Consciencializei-me que os abraços não era promessas, e que as tuas derrotas eram encaradas por mim de cabeça erguida e por ti "como te apetecesse". Estive lá, eu sei que estive lá verdadeiramente, mas tu também estiveste e, por isso, nunca poderei agradecer-te da maneira como gostaria. Lamento, e choro. O Luto da nossa amizade é sem dúvida das piores coisas que, ate ao momento, por mim passou. Foste durante muitas noites a minha consciência, enquanto eu durante muitos dias fui a tua. A verdade, é que a estrada ficou a meio, e nem sequer tivemos a coragem de a levar por um caminho incerto. Nunca te abandonei nem ignorei, mas nem sempre conseguiste ver isso.
Se houve coisa que me ensinaste, não pelo teu conceito de vida, mas pelas atitudes reveladas, foi que não importa o quanto eu me importo... Tu simplesmente não te importaste, nem comigo nem com ela. E não importa a quantidade de desculpas que pedes nem o quão boa amiga eras... Feriste-nos  o dobro do que te ferimos. Mas, ainda assim, soubemos perdoar.
Foram 3 anos maravilhosos sabes? A construção mais bela que já vi, e que levou um mês a ser destruída, juntamente com mais 3 para ser enterrada.
Após este desabafo meio ensurdecedor, e texto bastante distinto do que costumo publicar, confesso que percebo o sentido da frase "Aprende que verdadeiras amizades continuam a crescer mesmo a longas distâncias.". 
Enfim, a vida surpreende-nos e bem.

Felicidades para ti, velha amiga, talvez um dia nos voltemos a encontrar...

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