quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

Já fui

Já naveguei por mares desconhecidos de ódios e paixões. Já fui bebé, criança, adolescente. Já fui pequena, mas grande só fui no sentido. Já andei pelas ruas da amargura. Fui feliz, aqui e acolá em períodos remotos da minha existência. Conheci cidades, terras, pessoas. Conheci pessoas e seres. Honestamente, conheci meia dúzia de boas pessoas e centenas de seres vivos. Já odiei, já chorei. Já fui infantil. Já amei, ou pensei ter amado alguém que por sorte me correspondeu.



Todos os meus dias são compostos de passado e presente e futuro. Eu fui, eu sou, e serei, tudo só no mesmo dia. Brilhante! Talvez seja esse o mistério da rotina diária dos seres comuns. Sim comum, porque a minha significância ou qualquer rasto dela está nos outros não em mim. Eu sou somente o lugar onde me encontro, e o que faço com a minha vida. Significo para os outros não o que eu quero e desejo ansiosamente, mas aquilo que eles querem eu eu signifique. Bolas! Quase me esquecia que não nasci para agradar ninguém. Sim, chamem-lhe egoísmo ou outra palavra cara que inventem no vosso dicionário pessoal. Eu cá chamo-lhe a realidade, porque sou assim. Uma sonhadora – realista que voa alto, mas com um pé assente no chão. Os meus pensamentos oscilam entre o bem e o mal, entre o certo e o errado, e no fundo, bem lá no fundo, procuro significado para sentimentos que ou existem e quero evitar, ou que eu própria invento. Talvez por isso eu seja uma pessoa comum, no meio de tantas outras. E essa sensação de comum é tão boa, por vezes, não ter de desiludir ninguém com promessas fictícias! Com deveres que sufocam qualquer alma pura! Para depois mergulhar num mar de infortúnios e amarguras? Para nadar até ao fundo, cair e deixar-me abater numa maré de frustração? Assim sendo, prefiro perder-me no meio dos meus próprios pensamentos, mas estar certa de cada vírgula, ao invés de gritar ao mundo, algo que nem no âmago do meu ser pode ser compreendido.

2 comentários:

  1. Vim parar aqui nem sei como, mas foi uma grande descoberta!

    Adoro seus textos e admiro muito essa sua coragem em tornar público suas reflexões, seus pensamentos tão privados e pessoais.

    Gosto especialmente deste texto, me diz muito!

    Aguardo mais,,

    Vítor

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  2. Muito obrigada, Vítor, pela sua consideração e gosto pelos meus textos. Vou publicando alguns, por isso sempre que quiser pode aqui passar para os ler!

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